O delegado Edson Moreira, responsável pela investigação do desaparecimento de Eliza Samudio, ex-amante do goleiro Bruno Souza, afirmou em entrevista coletiva concedida na tarde desta sexta-feira (30) que a moça foi sequestrada e morta em um esquema premeditado que envolveu todos os indiciados pelo crime.
Segundo o delegado, a gravidez de Eliza, em meados de 2009, e a consequente pressão da moça para fazer Bruno assumir a criança teria "despertado" a ira do atleta, fazendo-o planejar sua morte. No final do ano passado, Eliza denunciou à polícia do Rio que foi agredida pelo jogador.
O plano para executar a vítima teria começado a ser delineado em maio de 2010, quando Bruno reconquistou a confiança de Eliza e a fez ir para um hotel no Rio de Janeiro --local onde teria se dado o início do sequestro. O plano foi executado em junho porque Bruno estava de folga devido ao início da Copa do Mundo.
O corpo de Eliza não foi encontrado, mas, segundo Moreira, há materialidade indireta do crime. Segundo o delegado, o primeiro depoimento do menor J., primo de Bruno, foi comprovado cientificamente, apesar de ele ter mudado de versão posteriormente. O menor foi a principal fonte de informação da polícia, detalhando desde o momento do sequestro até a suposta morte de Eliza. Segundo o delegado, peritos foram consultados e comprovaram que uma asfixia poderia ocorrer da forma descrita pelo menor. "Um leigo não saberia detalhar com exatidão uma asfixia", disse Moreira.
O delegado afirmou ainda que o goleiro Bruno planejou e participou ativamente do crime, inclusive planejando a entrega do bebê de Eliza para outros envolvidos no caso. Ainda segundo a polícia, Eliza já havia dado provas de que não entregaria seu filho a terceiros. "Ela não deixaria o filho na mão de terceiros, pois a criança seria a garantia de uma pensão alimentícia razoável e duradoura, que asseguraria seu futuro e da própria criança pelos próximos 18 anos."
A polícia afirma ainda que o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos (o Bola) já tinha sido contatado, por R$ 3.000, para executar o crime em fevereiro desse ano e que foi chamado por ser um homem com larga experiência policial e com conhecimentos técnicos. (Entenda a cronologia do caso).
Segundo a polícia, entre as provas que incriminam os suspeitos, estão:
•O laudo de análise do veículo Range Rover, de Bruno, onde um exame de DNA comprovou que havia sangue de Eliza;
•O laudo do GPS do carro, que mostra deslocamento de um hotel no Rio de Janeiro até Minas Gerais, trajeto feito pelo grupo após sequestrar a moça;
•O cruzamento de ligações telefônicas dos indiciados, constatando o envolvimento e localização dos mesmos no período do dia 4 a 12 de junho, quando teria ocorrido o crime;
•Antenas de transmissão de telefonia que correlacionam o trajeto com os depoimentos dos envolvidos;
•Uma fralda encontrada na suíte de um motel onde Eliza, seu filho e os outros indiciados teriam passado a noite no trajeto entre Rio e Minas.
A polícia também cita laudos referentes a exames realizados no notebook de Eliza e no de Luiz Henrique Ferreira Romão (o Macarrão, amigo de Bruno); fotos da criança que foram encontradas queimadas perto da cerca do sítio do goleiro; e um contrato, redigido no notebook de Macarrão, que deveria ser firmado entre Eliza e Bruno, datado de 8 de junho de 2010. O documento era uma procuração em branco que determinava R$ 3.500 de pensão e seria usado como "isca" para atrair a vítima.
Indiciamentos
Pelos crimes de homicídio, sequestro e cárcere privado, ocultação de cadáver, formação de quadrilha e corrupção de menores foram indiciados: o goleiro Bruno, o amigo dele Luiz Henrique Ferreira Romão (o Macarrão); Flávio Caetano de Araújo e Wemerson Marques de Souza (Coxinha)-- ambos acusados de esconder o bebê de Eliza--; a mulher do goleiro, Dayanne Rodriques do Carmo Souza; Elenilson Vitor da Silva, caseiro do sítio do jogador; Sérgio Rosa Sales (o Camelo), primo do atleta; e Fernanda Gomes de Castro, uma suposta amante do atleta.
Já o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos (o Bola), apontado como o assassino de Eliza, foi indiciado por homicídio qualificado (motivo torpe, utilização de meio cruel e recurso que dificulta a defesa da vítima), formação de quadrilha e ocultação de cadáver. Com exceção de Fernanda, todos já estão cumprindo prisão temporária em Minas Gerais. Foi pedida também a prisão preventiva de todos os indiciados. Os suspeitos negam os crimes.
O inquérito foi entregue ao Ministério Público, que deve apresentar em dez dias uma denúncia à Justiça, arquivar o caso ou pedir mais informações à polícia.