Luiz Felipe Scolari finalmente estava na beira do campo, o ídolo Kleber marcou o primeiro gol desde a sua volta e quebrou a ‘maldição’ dos pênaltis perdidos, a torcida lotou o estádio fora de casa e o jogo foi até interrompido por causa dos sinalizadores. Após dez anos, a volta de Felipão tinha quase todos os elementos que a torcida queria, mas teve um final triste.
Um pênalti e dois gols marcados já nos acréscimos da partida decretaram a derrota do Palmeiras por 4 a 2 na Ressacada.Apesar de toda a expectativa, Felipão ficou marcado por uma marca negativa logo na primeira partida. Desde o fim de 2006, todos os treinadores recém-contratados pelo Palmeiras começaram sua jornada com vitória. Antônio Carlos Zago, Muricy Ramalho, Vanderlei Luxemburgo e Caio Júnior tiveram poucas dificuldades em seus primeiros jogos e cumpriram o objetivo.
O fim estragou o que era o dia de Felipão. Ao chegar na Ressacada, viu o estádio pintado de verde com faixas e homenagens para saudar sua volta. Teve dificuldades para driblar o forte assédio da imprensa até encontrar Antônio Lopes. Do colega e rival, ganhou o reconhecimento e um abraço caloroso seguido por largo sorriso: “Estou feliz com sua volta. Que bom te ver!”
Felipão mostrou serenidade diante da confusão com a tranquilidade que a experiência lhe deu. “É normal, tenho tanta vivencia no futebol. É mais uma estreia”. Mas não se conteve e vibrou muito no gol de Gabriel Silva. A exaltação se repetiu ao ver Kleber acabar com uma verdadeira ‘maldição’ do Palmeiras após oito pênaltis perdidos seguidos. Mas no fim, o técnico saiu de cabeça baixa e exaltou o adversário.
O resultado deixou o Palmeiras na zona intermediária da tabela com doze pontos e distante dos líderes do Campeonato Brasileiro. Já o Avaí deu motivos para o ex-tenista Gustavo Kuerten, na torcida, comemorar. O time catarinense chegou à beira do G4 com 14 pontos.
Antes da partida, o goleiro Deola já dizia que a chegada de Felipão faria diferença para a motivação do time. Não deu outra. O Palmeiras começou com postura ofensiva, enquanto o Avaí apostava no contra-ataque, tentando usar a velocidade na retomada da bola.
Com mais chances, o gol veio cedo com a ajuda do campo pesado e o deslize do goleiro Renan, que deu rebote no chute de Marcos Assunção. Gabriel Silva não desperdiçou para a vibração de Felipão na beira do campo.
O Palmeiras parecia conduzir a partida com tranquilidade com as principais chances, atacando e marcando forte. Mas falhou. O volante Pierre errou ao sair para tentar o desarme e foi surpreendido por Caio, que se movimentou nas costas dele para empatar.
O time paulista acabou ficando recuado, permitindo o toque de bola adversário e falhou novamente quando, após duas grandes oportunidades desperdiçadas, Roberto deixou Robinho sozinho na pequena área para virar a partida. No fim da etapa inicial, o lateral Pará foi expulso e deixou o Avaí com um jogador a menos em campo, dando esperança ao alviverde para o intervalo.
O volante Márcio Araújo chamou a atenção para os erros. “A pressão é normal, a vitória fora (contra o São Paulo) motivou o time deles. A gente deixou espaço na frente da zaga, tanto eu como o Pierre. Tínhamos que ter abafado mais, diminuído os espaços, mas também foi méritos deles em belas jogadas.”
O fim do primeiro tempo previa o que estava por vir com o Palmeiras precisando do resultado e com um jogador a mais em campo. A etapa final começou muito aberta com os dois times criando chances. O Palmeiras conseguiu o empate com o pênalti de Émerson em Kleber.
Ele passou por cima da escrita negativa, inclusive dele mesmo, e teve a frieza de bater certeiro no meio do gol. Isso porque ele já havia errado um pênalti em sua estreia, no amistoso contra o XV de Piracicaba
A partida ficou um pouco mais morna com as equipes parecendo administrar o resultado. Aos 18 minutos do segundo tempo, o jogo foi interrompido pela fumaça provocada pelos sinalizadores da torcida, que prejudicaram a visibilidade no campo.
Na volta, a partida ganhou nova história. O Avai não teve medo de arriscar e foi para cima, ainda acertou bola na trave com Roberto e foi premiado. Aos 45min, Roberto sofreu pênalti, que culminou na expulsão de Léo. Caio bateu, Deola defendeu, mas o meia aproveitou o rebote. Dois minutos depois, o Palmeiras se lançou ao ataque desesperado e acabou levando o quarto gol no contra-ataque.